quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Válvula de escape



E quando me vejo assim, transbordando sentimentos, lembranças e momentos, começo a escrever. Discorro sem motivo e até mesmo sem objetivo, sobre coisas conhecidas, desconhecidas ou nascidas do meu próprio mundinho autista. Apenas discorro, deixo com que o lápis fale por mim e as palavras simplesmente escorram por entre minhas lacunas não preenchidas.
Às vezes é disso que eu preciso: uma saída literária ou apenas uma válvula de escape do mundo real diretamente para o imaginário. Invoco espíritos, crio e desfaço amores, sofro por opção, brinco com promessas difíceis de serem cumpridas, exponho todos os meus medos, inseguranças e defeitos. E então, quando tudo se faz mais leve e fácil de se engolir sem café é que volto à realidade e deixo com que o tempo continue a me preencher.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

40 graus

Enquanto a febre tomava conta de seu ser e os calafrios aumentavam, sua mente pulsando a mil por hora lhe fazia delirar. Os delírios começaram entre um e outro flash, tomando-lhe por inteiro. Seu corpo agora exalava alucinações junto a todo suador, o qual continha neles subliminarmente todas as lembranças que tentara esquecer.
Como uma crise de diabete ou outra doença qualquer, seu corpo tentava passar-lhe a mensagem de uma enfermidade. Enfermidade esta não tão simples como as outras, sendo que esta ia além. Seus sentidos assim como seus órgãos ou tecidos, continuavam intactos. Porém, a dor estava ali, cravada em seu peito. A dor de uma ausência... A dor de uma alma.

sábado, 27 de agosto de 2011

Espelho




Parado diante de si mesmo, tentando cuspir para fora qualquer tipo de compreensão sincera o suficiente para entender um pouco do que havia se tornado. Via-se como perante um espelho com diversas faces de sua alma onde cada uma delas indicava seus medos, defeitos, inseguranças, erros, e cada mínimo detalhe que, por mais escondido que estivesse se encontrava ali, cravado em algum lugar do seu ser.
Pensando os mistérios de sua existência, buscando explicações para cada reflexo daquele espelho, desenterrando caminhos, relembrando objetivos e cavando buracos interiores em busca dos sonhos que se perderam no caminho. Via-se diante do labirinto da vida, confuso com tamanhos os detalhes envolventes à sua história, repensando escolhas e rotas perdidas.
Agiste certo até aquele momento? Fizeste as escolhas certas? Nunca saberia. O que sabia estava exatamente ali, na sua frente. E o que lhe restava era simplesmente aprender a lidar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conteúdo alheio



Noite vazia, vento gelado, diante de um café e um cobertor a esquentar-lhe. Sentado diante de seu bloco de notas, esperando que a inspiração pudesse lhe encontrar. O tempo foi passando enquanto as palavras lhe fugiam do mesmo modo como ele fugia de si mesmo. Anos e anos ocupando-se de preocupações alheias enquanto deixava que sua própria vida tomasse rumo sozinha. Sabia sobre a queda do dólar, a nova invenção científica e até mesmo qual o novo namorado da vizinha. Só não sabia o que procurava, o que precisava e nem aquilo que gostava. Perdeu-se no tempo enquanto vivia gostos e vontades que não eram suas. A vida toda agradara a todos, menos a si próprio. E agora se encontrava ali, diante de tamanha incógnita: desvendar-se a si mesmo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tempos de vivência



Porque é tão difícil desistir do que se ama? Por pior que as coisas se encontrem, você nunca se acha com forças o suficiente para desistir daquilo que tanto quer. Talvez por amor, comodismo, medo, orgulho ou outros infinitos motivos que tanto nos embaraçam e confundem. O medo da mudança é um dos sentimentos mais comuns nos seres humanos. É desesperadora a sensação de ter que começar de novo e abandonar aquilo que já havia se tornado uma parte de si. Mais difícil ainda é ter que olhar para trás e ver que tudo o que construíra com tanto amor perdeu-se e agora não passarão de lembranças presas em um álbum de fotografias.
Sim, isso dói. Porém é hora de deixar pra lá, seguir em frente, sacudir a poeira! Por mais afanoso que seja, chega o momento em que não se pode mais fugir. Acabou. Lamentar-se não corrige a situação e se prender no passado só lhe impede que ande rumo ao futuro. É tempo de aprender que desistir não é necessariamente estar derrotado. Se suas forças acabaram, é a hora de recompor-se delas, o que não significa que tenha abandonado a corrida. Sim, a corrida da vida não pára. E é vivendo que aprendemos que nem tudo é como planejamos, mas que planos fora da rota na maioria das vezes são para que possamos conhecer caminhos melhores.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O fim da linha



Já era tarde quando acordou. Ao abrir os olhos e observar toda a desordem de seu apartamento a qual já lhe era rotina, viu que seria mais um dia como todos os outros. Teve vontade de voltar a dormir, pois só assim não precisaria pensar, porém, não o conseguiu. Preparou-se então para o ritual de todos os dias, acendeu o cigarro e pegou uma cerveja, a última coisa que ainda preenchia a sua geladeira, tão vazia quanto a sua vida. Foi então, que seus demônios já vieram lhe fazer a companhia diária de sempre. Demônios, que tanto lhe perturbavam e assombravam, demônios, ou somente lembranças, como preferir. Eles simplesmente a desorientavam tirando-lhe as minúsculas forças a qual tentara com tamanho esforço conseguir, levando-a para o ritual de todos os dias. Cartão de crédito, sem fundos obviamente, e o pó branco espalhado pela mesa. Enquanto separava-o em carreiras, tentava pensar em uma maneira de conseguir se livrar do maldito vício, de conseguir seguir em frente, de tentar voltar a viver de verdade. Mas não, os demônios não deixavam, com aquela dor cravada em seu peito tornava-se impossível esquecer aquele que a deixou. Carreiras separadas, bem definidas e alinhadas, era hora de começar de novo. Uma, duas, três, quatro, cinco. Não era o suficiente, não por hoje. Seis, Sete, Oito, Nove. Suas pernas já não lhe obedeciam, a adrenalina tomava-lhe conta. Quando estava assim, gostava de se olhar no espelho, ver suas pupilas dilatadas lhe suavam como um poder. O poder do esquecimento. Mas aquilo não estava tão forte quanto queria, os demônios ainda estavam em sua mente, precisava livrar-se deles, precisava pensar em outra coisa, precisava alucinar. Lembrou-se daquela seringa, a qual havia jurado nunca mais usar. Mas o que são juramentos para quem já não tem dignidade? Preparou a heroína, sim, essa seria literalmente a sua heroína. Dose dupla, pois precisava matar os demônios, já não podia mais conviver com eles. Sua mão tremia, sua boca estava seca e seu coração batia forte, mas nada que lhe impedisse de furar-se. Ao sentir a heroína entrando em seu corpo, finalmente pôde livrar-se dos demônios, eles haviam sumido, sua mente esvaziara-se e o tão sonhado silêncio estava tomando conta de seu ser. Enfim, livre. Pena é que essa liberdade tenha-lhe custado a vida.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sentimentumlogia


Uma explosão de sentimentos, pensamentos se debatendo, idéias surgindo, conceitos se esvaindo, tudo isso em uma só mente. Numa vida sem rumo, sua direção tão confusa quanto seu espírito, procurando um abrigo, procurando um sentido, procurando um amigo. Cansaço ao buscar por uma paz a qual já não sabia se ao menos existia, cansaço de nunca encontrar. Ao longo de sua vida simplesmente aprendeu a conviver com sua própria solidão, fazendo dela uma parte de si. Porque não lutar, porque não superar? Apenas porque o comodismo lhe tomou conta, aquilo já não lhe afeta como afetava antes. Seus dias parecem serem todos iguais, as lágrimas simplesmente escorrem e os dias simplesmente passam sem que os perceba, sem que os viva. E as lembranças? Continuam sempre intactas. Um coração partido, um plano interrompido, sonhos devastados, querendo não pensar, querendo apenas que o tempo corra.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tresvariando



Já era noite, a lua estava cheia e a chuva desenhava nos vidros de seu carro. Diante de seus pensamentos nublados sincronizados com toda sua confusão existencial, viu-se necessitado em parar no próximo bar.
                _ Garçom! Por favor... Uma dose de amor próprio para começar. E depois de uma fração de tempo de reflexão, traga-me uma dose de esquecimento, mas não antes de trazer-me uma batida de coragem com uma pitada de vontade de seguir em frente.
E ah! Só pra terminar, por favor, uma porção de superação para acompanhar.
Obrigado.

Vazio de fé




É difícil quando chega um momento em sua vida o qual você tem que assumir que simplesmente perdeu a fé. Perdeu a fé nas palavras, na verdade, na justiça, no amor... nas pessoas.  O tempo vai passando, e as decepções surgindo, dia após dia, destruindo suas últimas esperanças, levando o sobejo de sonho que ainda havia em você. É tanta hipocrisia e falsidade que nos rodeia, é tanto egoísmo que as pessoas já não se preocupam se iludir o outro, aproveitar da fragilidade alheia é o certo, desde que consigo mesmo esteja tudo bem. As pessoas estão simplesmente se esquecendo dos valores fundamentais dos seres humanos, preocupando-se apenas com o clichê, com o que ‘’todo mundo’’ valoriza. E vão se esquecendo como é ter ao lado de si um sorriso sincero, um abraço aconchegante e uma pessoa pra contar quando estiver tudo errado.  Simplesmente se esquecem. E o mundo vai se afundando cada vez mais nessa imensa solidão que vai se espalhando, nesse vazio de sentimentos e abundância de futilidades, onde as almas vão apenas vagando, sozinhas, enquanto suas metades, dispensadas, vagam por caminhos opostos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Apenas um tempo



Às vezes tudo que você precisa é de um tempo pra esvaziar-se de si mesmo. Um tempo pra dizer a si próprio aquilo que precisa escutar e pra fazer aquelas coisas que por mais grotescas que pareçam te fazem bem. É quando você precisa desabafar com a caneta e o papel, escrevendo não com a mente, mas sim com a alma, deixando apenas que os movimentos do escrever surjam e expresse tudo àquilo que já não lhe cabe dentro do peito. Palavras e pensamentos aleatórios, falta de sentido, um labirinto instalado, onde a única regra é ser fiel aos sentimentos, deixando que tudo flua.
E por mais frio que você seja, ou tenha se tornado com os terremotos da vida, você se dá conta que às vezes tudo que você precisa é saber o quão importante é para alguém, ou apenas de uma palavra de afeto. Afinal, hoje as pessoas simplesmente se esquecem de demonstrar, muitas vezes até mesmo de sentir, lembrando-se apenas quando perdem, tornando-se este um ciclo vicioso, narcísico e espalhando-se assim a carência, a falta e as perdas. E é pensando nisso que você se cansa de pensar, de procurar e de entender e deixa que as horas apenas passem, fazendo com que o amanhecer lhe renove, lhe inove.

Labirintos




Silêncio...
Crianças brincam no balanço do parque, mas elas parecem tristes.
Escadas, muitas escadas! Mas elas não levam a lugar algum, apenas formam um labirinto...
Colorido? Isto não existe aqui. Aqui a única cor é o preto.
Castelos... Não, eles já não podem ser chamados de castelos. Pois agora são apenas destroços! Estão acabados. Sendo a única coisa que continua intacta neles... As escadas.
O tempo está fechado. E agora chove, mas é como se ninguém sentisse frio e nem mesmo a chuva. Tudo parece não afetar-nos.
Vejo então um pé de um antigo all star jogado em um canto com uma vitrola e um velho disco dos Beatles pela metade.
Aqui é sombrio, nos olhos de todos pode-se notar um profundo vazio, e é como se todos estivéssemos doentes, pois não há entusiasmo algum. Ninguém conversa... Apenas segue por essas escadas sem fim.
Então, me pergunto que lugar é esse. Reflito... E chego a uma conclusão... Este lugar é apenas a minha mente.