sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Causas perdidas



         

          E mais uma noite, isolada em meu próprio mundo túrbido, divagando entre idéias, possíveis direções e explicações, passo a fantasiar e buscar consolo no clássico método da “caneta e papel”. Por mais estúpida que seja a idéia de entender totalmente o outro, difícil se torna para mim fugir desta condição. Talvez,  se pudéssemos ativar um dispositivo interno que nos possibilitasse conhecer o íntimo dos que nos rodeiam , as coisas se tornassem mais fáceis de lidar. Besteira, eu sei.
         Pensar demais: Às vezes o veneno... às vezes o antídoto. Sinceramente, não sei eu qual forma se encontra para mim agora.
        O silêncio toma conta do cômodo todo, os ruídos de minha mente inquieta enfim começam a incomodar. Na xícara de café minha imagem se reflete, sorte que não pode refletir minha incomplexidade e falta de fé.
       Queria que as palavras simplesmente pudessem reverberar de dentro de mim, formando um texto que magicamente me deixasse mais leve. Porém, de tanto excogitar causas perdidas, volto ao início daquilo o qual fim não houve, e provavelmente nem haverá.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

(In) Contida



             Tarefa essa adiada a tempos, eis me aqui tentando cumpri-la ou ao menos enganar-me a respeito da  conclusão desta. Escrever já não me soa tão fácil, há tanto tempo guardando verdades não ditas que até mesmo passa-las ao papel tornara-se difícil ou quase impossível. Sempre partindo do conceito que reter as fadigas e os prantos, vestindo a máscara do ‘’sempre-bem-obrigada’’ tornaria tudo mais fácil. Bela utopia. É como um balão lentamente a preencher-se com gás tóxico. Uma hora vai estourar e o tóxico se espalhará.
             O peso das palavras já não pode mais ser mascarado com belos sorrisos e distrações aleatórias. Meu eu perdeu-se em meio à escuridão de tudo aquilo que fora contido. Meu interior pede reparação, atenção, exige que se eliminem os disfarces e se destampem os buracos debaixo dos tapetes. Desmascarar-me. Buscar-me.  Mas principalmente aceitar-me. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Realidade Extraviada


Tomando seu velho e bom companheiro whisky, ouvindo a chuva batendo em sua janela, encontrava-se ali, parado diante dos fatos sem coragem o suficiente para refletir sobre eles. Apenas respirando, já não se dava conta de quanto tempo já havia passado desde a última vez que havia sido surpreendido por algo.  Uma vida sem expectativas, a realidade nua e crua encarnada com doses de melancolia. Esperara a vida toda pelo ilusório “momento certo” o qual as coisas começariam a se encaixar: O tão cobiçado emprego surgiria dos céus, esbarraria por acaso com a esposa perfeita e a felicidade bateria então à sua porta.
Pois bem, enquanto como um ser robotizado vivia tudo aquilo que lhe fora imposto acrescentado àquilo o qual comodismo lhe fizera acostumar, os dias simplesmente passaram, assim como os anos e os sentimentos.
E então? Até quando viver assim? Cuidado! Enquanto espera-se a ‘’hora certa’’ para agir, o mundo vem e tira de você. A vida está passando, e a cada segundo que se perde no cosmo as oportunidades esvaem-se. Aprendam: Ninguém pode construir sua vida por você.
Quanto tempo parado diante de si mesmo vai esperar até que a sua vida passe e os seus sonhos lhe sejam tirados?