sábado, 27 de agosto de 2011

Espelho




Parado diante de si mesmo, tentando cuspir para fora qualquer tipo de compreensão sincera o suficiente para entender um pouco do que havia se tornado. Via-se como perante um espelho com diversas faces de sua alma onde cada uma delas indicava seus medos, defeitos, inseguranças, erros, e cada mínimo detalhe que, por mais escondido que estivesse se encontrava ali, cravado em algum lugar do seu ser.
Pensando os mistérios de sua existência, buscando explicações para cada reflexo daquele espelho, desenterrando caminhos, relembrando objetivos e cavando buracos interiores em busca dos sonhos que se perderam no caminho. Via-se diante do labirinto da vida, confuso com tamanhos os detalhes envolventes à sua história, repensando escolhas e rotas perdidas.
Agiste certo até aquele momento? Fizeste as escolhas certas? Nunca saberia. O que sabia estava exatamente ali, na sua frente. E o que lhe restava era simplesmente aprender a lidar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conteúdo alheio



Noite vazia, vento gelado, diante de um café e um cobertor a esquentar-lhe. Sentado diante de seu bloco de notas, esperando que a inspiração pudesse lhe encontrar. O tempo foi passando enquanto as palavras lhe fugiam do mesmo modo como ele fugia de si mesmo. Anos e anos ocupando-se de preocupações alheias enquanto deixava que sua própria vida tomasse rumo sozinha. Sabia sobre a queda do dólar, a nova invenção científica e até mesmo qual o novo namorado da vizinha. Só não sabia o que procurava, o que precisava e nem aquilo que gostava. Perdeu-se no tempo enquanto vivia gostos e vontades que não eram suas. A vida toda agradara a todos, menos a si próprio. E agora se encontrava ali, diante de tamanha incógnita: desvendar-se a si mesmo.