quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tresvariando



Já era noite, a lua estava cheia e a chuva desenhava nos vidros de seu carro. Diante de seus pensamentos nublados sincronizados com toda sua confusão existencial, viu-se necessitado em parar no próximo bar.
                _ Garçom! Por favor... Uma dose de amor próprio para começar. E depois de uma fração de tempo de reflexão, traga-me uma dose de esquecimento, mas não antes de trazer-me uma batida de coragem com uma pitada de vontade de seguir em frente.
E ah! Só pra terminar, por favor, uma porção de superação para acompanhar.
Obrigado.

Vazio de fé




É difícil quando chega um momento em sua vida o qual você tem que assumir que simplesmente perdeu a fé. Perdeu a fé nas palavras, na verdade, na justiça, no amor... nas pessoas.  O tempo vai passando, e as decepções surgindo, dia após dia, destruindo suas últimas esperanças, levando o sobejo de sonho que ainda havia em você. É tanta hipocrisia e falsidade que nos rodeia, é tanto egoísmo que as pessoas já não se preocupam se iludir o outro, aproveitar da fragilidade alheia é o certo, desde que consigo mesmo esteja tudo bem. As pessoas estão simplesmente se esquecendo dos valores fundamentais dos seres humanos, preocupando-se apenas com o clichê, com o que ‘’todo mundo’’ valoriza. E vão se esquecendo como é ter ao lado de si um sorriso sincero, um abraço aconchegante e uma pessoa pra contar quando estiver tudo errado.  Simplesmente se esquecem. E o mundo vai se afundando cada vez mais nessa imensa solidão que vai se espalhando, nesse vazio de sentimentos e abundância de futilidades, onde as almas vão apenas vagando, sozinhas, enquanto suas metades, dispensadas, vagam por caminhos opostos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Apenas um tempo



Às vezes tudo que você precisa é de um tempo pra esvaziar-se de si mesmo. Um tempo pra dizer a si próprio aquilo que precisa escutar e pra fazer aquelas coisas que por mais grotescas que pareçam te fazem bem. É quando você precisa desabafar com a caneta e o papel, escrevendo não com a mente, mas sim com a alma, deixando apenas que os movimentos do escrever surjam e expresse tudo àquilo que já não lhe cabe dentro do peito. Palavras e pensamentos aleatórios, falta de sentido, um labirinto instalado, onde a única regra é ser fiel aos sentimentos, deixando que tudo flua.
E por mais frio que você seja, ou tenha se tornado com os terremotos da vida, você se dá conta que às vezes tudo que você precisa é saber o quão importante é para alguém, ou apenas de uma palavra de afeto. Afinal, hoje as pessoas simplesmente se esquecem de demonstrar, muitas vezes até mesmo de sentir, lembrando-se apenas quando perdem, tornando-se este um ciclo vicioso, narcísico e espalhando-se assim a carência, a falta e as perdas. E é pensando nisso que você se cansa de pensar, de procurar e de entender e deixa que as horas apenas passem, fazendo com que o amanhecer lhe renove, lhe inove.

Labirintos




Silêncio...
Crianças brincam no balanço do parque, mas elas parecem tristes.
Escadas, muitas escadas! Mas elas não levam a lugar algum, apenas formam um labirinto...
Colorido? Isto não existe aqui. Aqui a única cor é o preto.
Castelos... Não, eles já não podem ser chamados de castelos. Pois agora são apenas destroços! Estão acabados. Sendo a única coisa que continua intacta neles... As escadas.
O tempo está fechado. E agora chove, mas é como se ninguém sentisse frio e nem mesmo a chuva. Tudo parece não afetar-nos.
Vejo então um pé de um antigo all star jogado em um canto com uma vitrola e um velho disco dos Beatles pela metade.
Aqui é sombrio, nos olhos de todos pode-se notar um profundo vazio, e é como se todos estivéssemos doentes, pois não há entusiasmo algum. Ninguém conversa... Apenas segue por essas escadas sem fim.
Então, me pergunto que lugar é esse. Reflito... E chego a uma conclusão... Este lugar é apenas a minha mente.